A noite pede um café, bem quente, amargo
ou um vinho, mas ainda é quarta-feira.
Para ela é impossível ver algo além da janela,
a neblina cobre tudo e abraça quem passa na rua.
As pessoas na sala conversam, mas ela não sabe o assunto porque deixou muito tempo passar sem escrever.
Dentro de uma blusa laranja, pés descalços e óculos na ponta do nariz, pensa no que pode ser interessante.
Disseram-lhe que anda meio sentimental, chorando atoa e ela reflete o porque.
Sua vida, nos últimos meses, recebeu informação demais.
Antes era apenas o derrame cerebral.
Sentiu pena e ajudou como pode no caso.
Mas a história tomou um rumo inimaginável para qualquer pessoa da família,
a última notícia abriu um buraco entre as circunstâncias e a indignação misturada com a impotência assolou á todos.
Ninguém mais disse uma palavra; os fortes guardaram a informação não sei onde, os que se acham justos, quiseram punição, a menina, jovem ainda na face quer esquecer tudo, por não aceitar.
Ela acha que peca, mas a honra, a vida de uma pessoa, seja lá quem ela for, deve permanecer inviolável.
Ada Kiau
Um bocado de escrita que escoa e transborda feito água!
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