Pular para o conteúdo principal

Bagunças


Na casa suja, chão molhado de talvez lágrimas, na bagunça do dia, do mês, do ano ela encontrou na caixinha de achados e perdidos, um AMOR.

Não foi um achado arqueológico, era um AMOR recente.

Sentou-se na poltrona, ao lado da janela que dava vista para as árvores da rua e pôs-se a pensar porque tinha jogado aquele AMOR fora.

Descobriu muitas coisas, inclusive que não tinha nenhuma lembrança do que viveu quando aquele sentimento habitava dentro dela.

Junto com o AMOR encontrou cartas, cartões, pequenices e bem lá no fundo, escondida atrás de todas as coisas, ela encontrou, límpida, uma lágrima.

Aí se lembrou de tudo e jogou o AMOR pela janela para que fosse levado pelo vento, para onde ela nunca mais pudesse ver.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conto de fadas

Cortei minhas tranças. Rasguei meu vestido de seda e renda. Quebrei a porta e desci as escadas. Meu príncipe não veio e eu caí no mundo. Ada Kiau- 02/11/10

Só minha

 Minha vida é só minha, casa bagunçada, lembranças empoeiradas, mas tire o sapato pra entrar.  Apesar de tudo, te sirvo um café com  uma boa prosa,  e quem sabe você queira ficar. (22/10/17)

Ismália ás avessas

Quando Ismália enlouqueceu, ela ficou igualzinha á mim. Viu uma, duas, três luas. No céu não, nos olhos das pessoas. Não sabia direito se eram luas, mas quis mergulhar. Parou de sonhar porque viver era melhor. E descobriu isso depois que mergulhou nos olhos das pessoas certas(sérias). Ada Kiau Apropriação da poesia "Ismália" de Alphonsus de Guimarães