Pular para o conteúdo principal

Divagações em uma noite sem sono

Pensei que seria diferente mas, novamente a madrugada entrou na sala e a única luz que tenho é de de uma lâmpada, que talvez incomode quem já está dormindo. Os barulhos que ouço são de cães solitários na rua a vagar, do relógio a me dizer que o tempo passa cruel e do barulho dos meus dedos escrevendo o que penso, no mesmo instante. Mais uma vez me divaguei por lembranças e ao compará-las umas com as outras senti que fazemos coisas por impulso. Os impulsos podem ser bons mas, também podem não ser. E isso aflige a nossa mente, por que, como saberemos se é bom ou ruim se ele não acontecer? Impulsos podem se tornar pulsos cortados, mentes inquietas ou uma simples vontade de dormir e não lembrar de nada no outro dia. Ada Kiau

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Findo a noite como quem fecha um livro, como quem tranca uma porta e joga fora a chave, como quem apaga a fogueira que lhe aquece. Findo a noite como quem corta uma veia principal, como quem ama alguém que não existe, como quem não existe. Ponho finda a noite por hoje e amanhã rasgo o céu com as unhas e deixo derreter o dia sobre minha vida." Ada Kiau

Colo

O dia amanheceu como todos os dias mas o meu corpo procurou por colo. Pediu para se deitar em posição fetal, e encostar a cabeça no colo macio da mulher, Deusa dos meus dias. A vontade era de permanecer ali, quieta até que a minha respiração fundisse com o tempo que fazia lá fora. Meu corpo pediu colo e eu não queria mais passar um minuto sequer longe dela. Do carinho, dos olhares que conversavam sem palavras, das comidas especiais que não tinham nada demais, mas foram feitas pela mao dela. Hoje eu pedi para que o tempo voltasse e não precisasse crescer. Nunca! Pedi para que ela me gritasse na rua, me mandando entrar pra casa ou para que ela fosse nas reuniões de pais do meu ensino fundamental. Era só o que eu queria hoje. Mas a gente cresce e tem que enfrentar o mundo  com as nossas próprias decisões e convicções. Usar das nossas próprias armas. A vida é dura às vezes e eu só queria colo por hoje. Ada Kiau

A dança

Um dia ele a convidou para dançar. Pegou a mão dela, deu um beijo e levou-a para o meio do salão. Ali os dois dançaram, ela com a cabeça levemente recostada no ombro dele. Olhos fechados... A dança era tão suave que eles nem perceberam que a música acabara. Ficaram ali dançando por meses esperando que a eternidade os engolisse. Ada Kiau