Pular para o conteúdo principal

Divagações em uma noite sem sono

Pensei que seria diferente mas, novamente a madrugada entrou na sala e a única luz que tenho é de de uma lâmpada, que talvez incomode quem já está dormindo. Os barulhos que ouço são de cães solitários na rua a vagar, do relógio a me dizer que o tempo passa cruel e do barulho dos meus dedos escrevendo o que penso, no mesmo instante. Mais uma vez me divaguei por lembranças e ao compará-las umas com as outras senti que fazemos coisas por impulso. Os impulsos podem ser bons mas, também podem não ser. E isso aflige a nossa mente, por que, como saberemos se é bom ou ruim se ele não acontecer? Impulsos podem se tornar pulsos cortados, mentes inquietas ou uma simples vontade de dormir e não lembrar de nada no outro dia. Ada Kiau

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Inacabado I

Me alimento dessa carência porque ela acaba me completando de algum modo. Entendo que a gente precisa do físico, do afago, do carinho de um abraço diferente. Deve-se pensar sem culpa, porque o outro não sente, nem vê. Ada Kiau

Colo

O dia amanheceu como todos os dias mas o meu corpo procurou por colo. Pediu para se deitar em posição fetal, e encostar a cabeça no colo macio da mulher, Deusa dos meus dias. A vontade era de permanecer ali, quieta até que a minha respiração fundisse com o tempo que fazia lá fora. Meu corpo pediu colo e eu não queria mais passar um minuto sequer longe dela. Do carinho, dos olhares que conversavam sem palavras, das comidas especiais que não tinham nada demais, mas foram feitas pela mao dela. Hoje eu pedi para que o tempo voltasse e não precisasse crescer. Nunca! Pedi para que ela me gritasse na rua, me mandando entrar pra casa ou para que ela fosse nas reuniões de pais do meu ensino fundamental. Era só o que eu queria hoje. Mas a gente cresce e tem que enfrentar o mundo  com as nossas próprias decisões e convicções. Usar das nossas próprias armas. A vida é dura às vezes e eu só queria colo por hoje. Ada Kiau

Culpa

Eu saio todos os dias com a cabeça a mil já logo de manhã, carregada de incertezas e a alma limpa de culpas. Mas eu me engano, me iludo, eu sou culpada. Sou culpada pelas coisas que não digo, pelas coisas que não faço. Sou culpada pelas coisas que guardo e pelas coisas que jogo fora. Minha culpa recai pelos amigos que escolho e pelas pessoas que ignoro. Pelas piadas de mal gosto e pelas engraçadas; pelo riso frouxo e pelo riso contido. Sou culpada também por falar mal dos outros e por defender quem eu gosto. Tenho culpa pelas pessoas que gostam de mim, a ponto de se declararem mas também tenho culpa por aquelas que me odeiam. Sou culpada por não gostar de verdade ou por fingir que não gosto (mais por isso), por fingir que não me preocupo, por fingir que não quero, que não me importo. Tenho culpa por fingir que não sou, sendo!