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Qualquer coisa II

Eu pensava ser uma pessoa diferente, decidida, independente. Mas meu erro foi acreditar nisso. Eu pensava ser boa em tanta coisa que não percebi o quão ruim eu era. Pensei ser independente, sempre otimista mas me vi mergulhada numa necessidade de "precisar" de alguém para me empurrar, dar conselhos ou até mesmo emprestar uns trocados. Pensava ser esperta, nunca me apaixonaria, mas também não maltrataria ninguém. Apenas deixava pra lá. No fim me apaixonei por todos os caras da minha vida, um por um. Não os maltratei, acho que não, mas quem saiu mal de todas as histórias fui eu. Sai sozinha. Pensei que ser sozinha era bom. Ainda acho que seja, mas o mundo pensa que não. Ninguém pode ser sozinho. Pensava ser uma mulher à frente do meu tempo, mas talvez eu tivesse ultrapassando os limites e desafiando o tempo. E ele jamais gostou de ser desafiado. Pensei ser forte, mas no mínimo sinal de dor, chorei. Pensava existir apenas a dor física, essa era impossível não sentir, mas descobri a dor da alma. A pior. Que consome dia após dia. Um ponto de dor a cada respiração. E a dor física se anula completamente. Pensei em escrever algo interessante, tocante, mas descobri que não sou tão boa assim com as palavras. Nem sou tão boa assim com as palavras!

Ada Kiau

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