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Café amargo

A manhã sobressaiu em meio à correria das pessoas que madrugavam. 
Para onde iam, com suas cabeças baixas, seu ar de segurança dentro do carro? 
Ela, acordou e abriu a janela e por um momento pôde ver positividade naquele instante. 
Tomou um banho, pôs-se dentro de roupas confortáveis, pois o seu trabalho não exigia tanta formalidade. 

Desceu as escadas do prédio, cumprimentou o porteiro e saiu. Ali se iniciava de verdade sua jornada no dia.  O café era algo que ela não abria mão e já há muito tempo escolhera um cantinho para sentar todas as manhãs e degustar do melhor elixir inventado pelo homem.
No Petit Déjeuner, ela escolheu a mesma mesa, de frente para a rua. Gostava de ver as pessoas e penetrar anonimamente na vida delas.
De repente, a hora mais importante do dia foi interrompida com um telefonema.
Era ele do outro lado, vociferando palavras que ofendiam e cortavam lentamente o coração dela.
Gerard não aceitava o término do relacionamento e continuava a persegui-la por todos os lugares. Ela havia mudado há pouco para Louhans, uma cidadezinha ao sul de Borgonha. Fugira para a tranquilidade da cidadela para se livrar da culpa que ela pensava que tinha.
Estava encantada com a simplicidade e a beleza da "Cidade dos Arcos" e imaginara começar ali, uma nova vida, sem pertubações e com a paz que ela merecia.
Por meses, andou pelas ruas com medo, imaginando que a todo momento seria surpreendida por aquela figura cinza, que só trazia dor e desconforto. 
Mudou mais algumas vezes de casa até se livrar da culpa e perceber que estava realmente livre.


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