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Liberdade ainda que tardia

Despontou na manhã,
com a marca no corpo
Estava decretado,
ela nasceu pra servir.

De criança
Brincava com baldes e vassouras,
Lustrava móveis e pisos,
Coisa bem séria que fazia.

"Adolesceu" e fugiu,

Ainda aos 15 anos,
Foi pega, apanhou e dormiu.
Acordou e estava na mesma cozinha da casa grande.

Continuou a alimentar sua vontade de sair.
Tentou várias vezes,
Foi pega, apanhou e dormiu.
E a sequência foi essa até os 20.

Um dia, nova tentativa.
Olhou para trás e não viu nada.
Olhou para frente e viu um novo mundo.
Se libertou!

Livrou-se da marca.
da cozinha,
Estava livre fisicamente.
E mentalmente.

Seus fantasmas assombravam ainda,
e assim foi indo,
Até desistiram e a deixaram em paz!

A liberdade agora era completa!

Ada Kiau


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